Melancolia
Escrito com Pena é um acervo feito de mim para mim mesmo, e um dos motivos pelos quais eu decidi criar esse meu espaço particular de intimidade é o fato de eu ser apenas uma sobra de quem eu já fui um dia.
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Este é o meu primeiro texto desta nova fase. A verdadeira primeira postagem deste meu espaço. Olá, eu.
O motivo pelo qual esse texto existe é que eu tenho pensado. Pensado muito.
Minha vida trouxe para mim um evento completamente inesperado. Um reencontro. Um reencontro com alguém do meu passado. Um reencontro com uma pessoa que eu já amei. Um reencontro... com quem eu fui.
É curioso, mas esse reencontro com quem eu fui partiu de outro reencontro inesperado. Há alguns dias, eu retomei contato com uma amiga de longa data com quem eu não falava há mais de uma década. E só a simples presença dela de volta na minha vida causou um turbilhão dentro da minha cabeça, e do meu coração.
Euforia.
Nostalgia.
Melancolia.
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Euforia, porque eu sentia saudades desta pessoa, e reencontrá-la estava fora dos planos.
Nostalgia, porque o tempo em que eu falava com essa pessoa era simplesmente maravilhoso.
Melancolia... porque esse tempo maravilhoso ficou no passado, e não há mais espaço para ele hoje. Ele traz personagens que morreram. E eu sou um desses personagens.
Falando assim, de forma tão sucinta, pode parecer que essa pessoa que reencontrei tenha uma relevância implacável na minha vida. E, por muito tempo, eu fiquei confuso, acreditando que sim. Foi descobrir que, na verdade, não era bem assim que me motivou a começar a escrever esse texto.
Essa pessoa foi uma das que mais estimei, verdade. Mas hoje ela tem sua posição ali, bem definida. O que realmente mexeu comigo não foi essa pessoa. Não foi reencontrá-la. Não foi retomar este contato, matar essas saudades, não. E isso por si só é uma grande revelação, uma epifania.
O que mexeu comigo foi relembrar como eu era naquele tempo. E perceber a grande diferença entre quem eu era outrora e quem eu sou hoje.
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Então eu tinha contato novamente com uma pessoa que amei. E eu me sentia um adolescente de novo. E eu não parava de pensar nela. E eu não conseguia fugir desses pensamentos, e eles me causavam Euforia. Não só euforia, mas ansiedade, medo e confusão também. Como essa pessoa podia estar despertando tudo isso em mim?
A resposta é que... ela não estava.
Eu me enganei quando pensei que esses sentimentos estavam sendo despertados por esta pessoa. Não. Esses sentimentos estavam sendo despertados por mim mesmo. Embora eu sentisse saudades dessa pessoa, eu percebi que aquele de quem eu mais sinto saudades é de mim mesmo. Do meu eu jovem, que vivia conversando com essa pessoa que reencontrei, e com tantas outras mais. Eu mergulhei em Nostalgia.
Eu me dei conta de que isso ia além. Não era só de mim mesmo que eu sentia falta. Era de uma fase da minha vida. Era do meu centro gravitacional daqueles tempos áureos. Era de mim e de tudo que estava a minha volta. Eu fui tomado pela saudade de quem eu fui, de como os outros me viam, de como eu me fazia enxergar... e de todo o ambiente que propiciava que as coisas fossem do jeito que eram.
E foi aí que entrou a Melancolia.
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[Quem eu era]
[Como me viam]
[O Ambiente]
Ruptura. Nova conversa. São outras vidas. São outras pessoas.
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